Lado Lunar
3Mar/10

As 30 razões para se envolver com uma socióloga!

Hoje chegou ao meu conhecimento esta bela e muito cómica lista das 30 razões pelas quais um rapaz sortudo se deve envolver com uma socióloga. Ora, eu não sou uma socióloga, porque ainda não acabei a licenciatura, mas posso partir já de alguns destes princípios porque, devo confessar, alguns aplicam-se bastante bem a mim ou a colegas aprendizes de sociólogas que conheço. Vejamos...

  • 1 - Não fazemos rotulagem social à priori, mas facilmente distinguimos o bom do mau (completamente de acordo, embora seja falível no caso de algumas aprendizes de Sociologia )
  • 2 - Não valorizamos a origem social do indivíduo, mas preocupa-nos a mobilidade social que este nos proporciona (exactamente! não interessa de onde ele vem, mas onde nos pode levar)
  • 3 - Somos a favor do alargamento contínuo da nossa rede de sociabilidades (é uma coisa que vem com o curso, porque é tudo boa gente; para mais informações sobre uma vasta rede de sociabilidades, por favor falar com Ana Vanessa)
  • 4 - Para nós o corpo é uma máquina de cultura e linguagem permanente (não têm noção do quanto eu presto atenção a isto, em alguns casos...)
  • 6 - Economicamente falando, há um excesso de procura e pouca oferta, pois padecemos do paradoxo de valor (oh pá não sei o que é paradoxo de valor, porque só tive 10 a Economia, mas até à segunda vírgula concordo perfeitamente!!)
  • 7 - Temos grande utilidade marginal e total. (como eu disse...tive um 10 a Economia)
  • 8 - Importamo-nos com os contextos ( e a prova disso é que já verifiquei muitas vezes que uma mesma pessoa pode ter comportamentos diferentes em contextos diferentes, ainda que esteja na presença das mesmas pessoas, o que em alguns casos é MESMO uma pena...)
  • 9 - Vemos para além das fachadas (por isso nem sequer tentem enganar-nos!)
  • 11 - Combatemos o etnocentrismo, não gostamos do universal, mas do restrito, do particular e do exclusivo (portanto se foram eleitos é porque realmente têm algo de muito especial)
  • 12 - Cultivamos imaginação sociológica (ossos do ofício...)
  • 14 - Gostamos de novas experiências (a Estefânia é a pessoa do meu pequeno grupo de referência que melhor pode falar destes assuntos...)
  • 15 - Conseguimos distinguir sexo de género (distinção essa que em alguns casos faz toda a diferença! mais uma vez...não nos enganam!)
  • 16 - Mesmo bêbadas tiramos apontamentos (apesar de ser vista como uma das pessoas com os melhores apontamentos, não posso dizer que faça isto...porque nunca fiquei bêbeda)
  • 17 - Superamos todos os obstáculos epistemológicos, sobretudo o naturalismo (a aparência atrai, mas o conteúdo convence!)
  • 18 - Fazemos dos homens "pescadinha de rabo na boca" (assim esta expressão ganha todo um novo significado! )
  • 19 - Aplicamos estratégias de investigação empírica no terreno (nomeadamente a observação directa participante)
  • 21 - Facilmente fazemos rupturas (quebrando tabus e preconceitos...)
  • 24 - Somos simples, contentamo-nos com o melhor (como eu disse, se forem eleitos é porque têm algo de muito especial)
  • 27 - Damos valor aos engenheiros (vá...podem gabar-se...mas só um bocadinho!)
  • 28 - Onde houver festa estamos lá (por acaso...ultimamente....)
  • 30 - Não somos nada discretas e por isso, se estivermos interessadas, vais reparar (já me disseram que é verdade...oops!)

Se o universo masculino se assustou com esta parte da lista que aqui comentei ou não são engenheiros ou então não estão preparados para se envolver com uma mulher socióloga! É claro que eu omiti alguns pontos desta lista, porque esses não se aplicam muito à pessoa (também ela com características raras) que escreve os textos deste blog, mas para melhor esclarecimento e lista completa vejam:

As 30 razões para se envolver com uma socióloga

3Out/09

“Pergunta à socióloga…”

Apeteceu-me vir aqui (sem nenhuma música que se adeque ao tema) escrever meia dúzia de coisas sem interesse porque há muito tempo que tenho vontade de escrever outra vez e nunca tenho nenhum tema em concreto.

Ora hoje limito-me a mostrar a minha indignação perante a perseguição que têm feito à minha formação académica! Passo a explicar: eu sempre tentei compreender os outros e desde sempre crio primeiras impressões acerca das pessoas que conheço, porque isso é o que todos fazemos, seja conscientemente ou não. Aliás, diga-se de passagem que o meu pai é perito nisso. Mas o facto de eu agora andar mais atenta aos outros e aos seus comportamentos não significa necessariamente que aquilo que eu estou a fazer é uma observação sociológica e que pretendo escrever ou discutir acerca das minhas conclusões. Significa sim que tenho 19 anos e compreendo melhor determinadas coisas que antes me eram indiferentes e, portanto, admito que a minha capacidade crítica e de observação possa ter melhorado. A parte da Sociologia pode também ter alguma influência, mas apenas porque me permitiu estar mais atenta aos tais pormenores que antes me escapavam. É um conjunto de factores, não é a Sociologia por si só, que me tem tornado mais crítica!

Os 'wanna be's', os góticos, os rastafaris, os betinhos, (isto de encontro à nossa conversinha de café de  hoje) não são definições somente minhas ou da Sociologia, são definições de todos nós, da sociedade como um todo! Eu não trabalho a tempo inteiro...ainda...e portanto, meninas Inês e Liliana e pessoas que me conhecem em geral, não pensem que por ter aprendido que a 'observação directa' é uma técnica de investigação sociológica, eu passo a minha vida a analisar cientificamente e minuciosamente todas as pessoas que me passam à frente - aliás, seria assustador para muita gente se soubessem de antecipação que as estou a analisar, para depois tirar conclusões (que, diga-se de passagem, nunca seriam definitivas). Portanto, nada de achar que eu tenho nomes para tudo só porque a Sociologia tem como objecto de estudo o comportamento dos indivíduos em sociedade - a Sociologia não é uma enciclopédia dos comportamentos humanos!

Obrigada pela atenção e valerá a pena dizer que este texto contém uma certa dose de ironia, porque, obviamente, não estou indignada com esta associação que as minhas queridas amigas fazem daquilo que será o meu futuro profissional - apenas queria esclarecê-las de que não sou o espelho mágico que tem respostas para quando elas não entendem o comportamento de determinada pessoa (eu continuo a ter esse problema, mesmo estudando Sociologia).