Lado Lunar
7Set/09

Diz-me que música ouves, dir-te-hei quem és?

 Música: "Rise and Fall", Craig David com Sting

Olá! Hoje apetece-me escrever um post mais  informal, apenas para provar que ainda estou aqui.

Anteontem, cá em casa tivemos lotação esgotada devido a um encontro que, na minha opinião, já deveria ter acontecido há imenso tempo, e mais uma vez houve o início daquilo que poderia ter sido uma discussão acesa, desta vez acerca dos factores que condicionam a maneira de ser e estar dos jovens portugueses actualmente. Muitos falam da série "Morangos Com Açucar" como sendo um mau exemplo para os jovens, embora,  ironicamente, ela seja também um sucesso nacional, mas nós preferimos falar de gostos músicas - way more interesting! (a informalidade dos meus textos inclui expressões british, atenção!).

 De facto, a música desde sempre criou impacto e provocou emoções e sentimentos nas pessoas, quer pelas letras que transmite, quer pelas melodias e, de facto, no meu breve estudo acerca das subculturas percebi que o que praticamente todas têm em comum é o facto de terem surgido a partir de um determinado estilo musical e, depois, terem passado a ser movimentos culturais que assumiam um certo estilo de roupa e de comportamento distintos da chamada "cultura de massas". Mas o que interessava ali discutir era até que ponto o modo de vida pessoal dos artistas leva os fãs a agir como eles? O caso mais alarmante será provavelmente o uso de drogas que, tal como a minha mãe defendeu, desde sempre existiu e continua a existir entre aqueles que consideramos ser altamente talentosos - o que, também ironicamente, os vai tornando muito mais famosos (o nome de uma certa cantora britânica deve estar a surgir nas vossas mentes...).  De um lado, defendia-se que os fãs podem ser e são muitas vezes levados por "maus caminhos" ao saberem que o seu artista favorito também o faz, julgando que provavelmente aquilo é banal, é fixe e vai proporcionar-lhe bons momentos e novas experiências; do outro lado, defendia-se que não são os ídolos que influenciam directamente os seus fãs com este ou aquele comportamento, uma vez que essas pessoas muitas vezes estão fisíca e emocionalmente distantes dos fãs para os poderem influenciar de uma forma tão directa (aquilo que em Psicologia seria o meio mais macro da vida de cada um de nós, se estivesse aqui a querer usar termos técnicos).

O que tornou esta discussão pouco produtiva foi o facto de a maioria calar a minoria e, portanto, a ideia que ficou é que as pessoas não são de facto influenciadas pelos seus artistas favoritos de forma tão directa ou infalível, pois o mais preocupante e o que terá, provavelmente, mais peso é a influência do colega do lado. Aliás, se alguma vez houve esse tipo de influência, actualmente, ela é cada vez menos acentuada, de acordo com os defensores desta opinião. Os jovens  presentes (eu incluída) diziam que apesar de serem fãs de Nirvana, Metallica ou mesmo Amy Winehouse não eram influenciados pelos seus comportamentos (até os Keane tiveram o seu mau momento,algo que me deixou desiludida, mas que felizmente foi superado rapidamente e com sucesso), mas se a ideia era a de que os nossos artistas favoritos nos influenciam dessa forma, "o melhor é ser fã de Radiohead", disse o Mário. No entanto, estes argumentos não foram aceites pela outra parte, porque os presentes eram expepções à regra. A propósito desta ideia, no meio desta discussão em que permaneci quase calada, lembrei-me de um documentário do Michael Moore, chamado "Columbine", em que ele tentava perceber se as músicas que os jovens ouviam - naquele caso Marylin Manson - os tinham influenciado nas suas acções violentas (por favor, consultem a sinopse para melhor esclarecimento do contexto deste filme/documentário). 

Com tudo isto, além de expôr as opiniões dos diferentes intervenientes na discussão de anteontem quero também perguntar aos raros leitores deste blog: what are your thoughts on the matter? (como diria o Heath Ledger, em Casanova). O que pensam disto? A vida pessoal dos nossos ídolos pode influenciar os nossos comportamentos ou, actualmente, apesar de sabermos que muitos dos artistas consomem drogas estamos muito mais alerta para não irmos pelo mesmo caminho? Deixo ao vosso critério!

Até ao próximo post!

21Jul/09

Keane: regresso a terras lusas!

keanegaia09

No passado dia 18 de Julho o grande momento repetiu-se! Os Keane voltaram a presentear-nos com um magnífico concerto no norte, desta vez no Festival Marés Vivas, em Gaia. Porém, como se tratava de um festival Gabriella Cilmi e os californianos Colbie Callait e Jason Mraz deram também espectáculo, tornando o 3º e último dia do festival numa autêntica reunião de jovens adolescentes, superando o número de pessoas esperado para aquele dia.

Primeiramente, tenho que admitir que não assisti aos dois primeiros concertos, embora tenha ouvido ao longe a Colbie Callait a cantar a música "You Found Me" dos The Fray, que eu simplesmente adoro!! Em segundo lugar, achei curioso o facto de os fãs do Jason Mraz serem facilmente identificados graças aos chapéus que traziam, semelhantes àquele que o cantor, por vezes, usa - e que naquela noite usou, de facto. No entanto, fiquei com uma ligeira sensação de desilusão após o concerto do Jason Mraz. Sinceramente, não sei se era do lugar em que eu estava, no meio daquele mar de gente, mas não senti muito a energia do público. Um dos pontos fortes será, para mim, o facto de o Jason Mraz ter cantado as suas músicas mais conhecidas, levando as pessoas a cantar juntamente com ele, mas tirando esses pequenos picos de agitação, achei que o concerto dele iria ser mais cativante. Pelo menos daquilo que vi na internet antes deste concerto, em que o cantor interagia mais com o público apesar de só ter com ele uma viola, este concerto deixou um pouco mais a desejar - mas isto pode ser apenas por eu não dar 25euros por um concerto só dele.

Por outro lado, como grande fã que sou dos Keane, a actuação deles foi para mim o momento alto da noite! Pela primeira vez tive a oportunidade de ouvir as músicas do seu mais recente albúm "Perfect Symmetry", que infelizmente não pude ouvir quando eles vieram a Lisboa, e devo dizer que os Keane não só não desiludiram, como ainda nos conseguiram surpreender, graças ao seu mais recente talento: falar português! "Viva Gaia!!" foram as primeiras palavras que se ouviram do vocalista Tom Chaplin e que deram abertura a um concerto cheio de energia. Mais uma vez repetiram-se os sorrisos, as mãos no ar e a dedicação quase exaustiva por parte da banda e dos fãs. "Vocês são um bom povo" dizia o vocalista, no seu português tímido, demonstrando simpatia pelo "povo do Norte". Durante a actuaçao no Porto esta simpatia foi, pelo menos para mim, uma surpresa, mas este concerto foi, provavelmente, a confirmação do quanto os próprios músicos ficaram agradavelmente supreendidos com a recepção do público português ao longo do tempo. Sim, podem também estar a dar-nos muita graxa, mas penso que não sou totalmente ingénua ao achar que se, de facto, eles não sentissem a nossa hospitalidade, então simplesmente não fariam referências ao facto de sermos um "povo unido que se reúne em grande escala, num espaço como este, por um objectivo comum". A certa altura perguntei-me "Mas em Inglaterra não há festivais? As pessoas não se reunem para ir a festas ou a concertos?".

Relativamente às músicas tocadas, penso que eles percorreram da melhor forma os três albuns, apresentando os novos sucessos como "The Lovers Are Losing" e "Spiralling" (mas também a minha favorita "Perfect Symmetry" que ainda não é um sucesso)  sem se esquecerem dos clássicos (se assim já se podem chamar) "Somewhere Only We Know" e "Everybody's Changing". Mais uma vez o concerto terminou com "Bedshaped", havendo ainda tempo para um cover da música "Under Pressure" dos Queen, numa altura em que as pessoas tinham já dado o concerto como terminado, mas recuaram para ouvir uma última música.

 Concluindo: se eu achava que este concerto seria uma repetição do que aconteceu no Queimódromo, a realidade é que com um público tão grande, tão entusiastico e caloroso (palavras do cantor) este acabou por ser melhor que o anterior. Inclusivamente, tive a ligeira sensação de que as pessoas que estavam perto de mim e  da minha amiga Inês, nos olhavam com um ar bastante estranho como se o facto de cantarmos as músicas com tanta dedicação fosse quase ridículo.

Apesar de há meses ter questionado o sucesso da mudança da banda, ao nível da sonoridade, a verdade é que aqueles que os acompanham desde o início podem com certeza afirmar que a banda está, provavelmente, no seu melhor, quer na forma como actua ao vivo e como interage de forma incansável com o público, quer nos novos estilos musicais que tem explorado. A prova disso? O número infindável de fãs que assistiu ao espectáculo naquele sábado! Independentemente dos maus olhados e dos julgamentos precipitados, eu gostei imenso e foi um concerto inesquecível!

Mais informações :D :