Keane: regresso a terras lusas!
No passado dia 18 de Julho o grande momento repetiu-se! Os Keane voltaram a presentear-nos com um magnífico concerto no norte, desta vez no Festival Marés Vivas, em Gaia. Porém, como se tratava de um festival Gabriella Cilmi e os californianos Colbie Callait e Jason Mraz deram também espectáculo, tornando o 3º e último dia do festival numa autêntica reunião de jovens adolescentes, superando o número de pessoas esperado para aquele dia.
Primeiramente, tenho que admitir que não assisti aos dois primeiros concertos, embora tenha ouvido ao longe a Colbie Callait a cantar a música "You Found Me" dos The Fray, que eu simplesmente adoro!! Em segundo lugar, achei curioso o facto de os fãs do Jason Mraz serem facilmente identificados graças aos chapéus que traziam, semelhantes àquele que o cantor, por vezes, usa - e que naquela noite usou, de facto. No entanto, fiquei com uma ligeira sensação de desilusão após o concerto do Jason Mraz. Sinceramente, não sei se era do lugar em que eu estava, no meio daquele mar de gente, mas não senti muito a energia do público. Um dos pontos fortes será, para mim, o facto de o Jason Mraz ter cantado as suas músicas mais conhecidas, levando as pessoas a cantar juntamente com ele, mas tirando esses pequenos picos de agitação, achei que o concerto dele iria ser mais cativante. Pelo menos daquilo que vi na internet antes deste concerto, em que o cantor interagia mais com o público apesar de só ter com ele uma viola, este concerto deixou um pouco mais a desejar - mas isto pode ser apenas por eu não dar 25euros por um concerto só dele.
Por outro lado, como grande fã que sou dos Keane, a actuação deles foi para mim o momento alto da noite! Pela primeira vez tive a oportunidade de ouvir as músicas do seu mais recente albúm "Perfect Symmetry", que infelizmente não pude ouvir quando eles vieram a Lisboa, e devo dizer que os Keane não só não desiludiram, como ainda nos conseguiram surpreender, graças ao seu mais recente talento: falar português! "Viva Gaia!!" foram as primeiras palavras que se ouviram do vocalista Tom Chaplin e que deram abertura a um concerto cheio de energia. Mais uma vez repetiram-se os sorrisos, as mãos no ar e a dedicação quase exaustiva por parte da banda e dos fãs. "Vocês são um bom povo" dizia o vocalista, no seu português tímido, demonstrando simpatia pelo "povo do Norte". Durante a actuaçao no Porto esta simpatia foi, pelo menos para mim, uma surpresa, mas este concerto foi, provavelmente, a confirmação do quanto os próprios músicos ficaram agradavelmente supreendidos com a recepção do público português ao longo do tempo. Sim, podem também estar a dar-nos muita graxa, mas penso que não sou totalmente ingénua ao achar que se, de facto, eles não sentissem a nossa hospitalidade, então simplesmente não fariam referências ao facto de sermos um "povo unido que se reúne em grande escala, num espaço como este, por um objectivo comum". A certa altura perguntei-me "Mas em Inglaterra não há festivais? As pessoas não se reunem para ir a festas ou a concertos?".
Relativamente às músicas tocadas, penso que eles percorreram da melhor forma os três albuns, apresentando os novos sucessos como "The Lovers Are Losing" e "Spiralling" (mas também a minha favorita "Perfect Symmetry" que ainda não é um sucesso) sem se esquecerem dos clássicos (se assim já se podem chamar) "Somewhere Only We Know" e "Everybody's Changing". Mais uma vez o concerto terminou com "Bedshaped", havendo ainda tempo para um cover da música "Under Pressure" dos Queen, numa altura em que as pessoas tinham já dado o concerto como terminado, mas recuaram para ouvir uma última música.
Concluindo: se eu achava que este concerto seria uma repetição do que aconteceu no Queimódromo, a realidade é que com um público tão grande, tão entusiastico e caloroso (palavras do cantor) este acabou por ser melhor que o anterior. Inclusivamente, tive a ligeira sensação de que as pessoas que estavam perto de mim e da minha amiga Inês, nos olhavam com um ar bastante estranho como se o facto de cantarmos as músicas com tanta dedicação fosse quase ridículo.
Apesar de há meses ter questionado o sucesso da mudança da banda, ao nível da sonoridade, a verdade é que aqueles que os acompanham desde o início podem com certeza afirmar que a banda está, provavelmente, no seu melhor, quer na forma como actua ao vivo e como interage de forma incansável com o público, quer nos novos estilos musicais que tem explorado. A prova disso? O número infindável de fãs que assistiu ao espectáculo naquele sábado! Independentemente dos maus olhados e dos julgamentos precipitados, eu gostei imenso e foi um concerto inesquecível!
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