A peça de teatro
Dedicado à minha mãe, e "mana" pelos melhores conselhos do mundo e a esta ultima também por lhe estragar completamente o estilo do blog ao publicar uma coisa tão deprimente e com tão pouco sentido.
Ines (uma leitor frequente, em estreia como autora)

Esta situação desenrolou-se tal como descrito e eu senti-a mesmo como se estivesse a assistir a uma peça de teatro. Duvido que alguém perceba exactamente o sentido deste texto, mas saiu do mais fundo de mim e por isso tinha de ser partilhado.....
Agora sento-me na plateia e assisto ao espectáculo que já começou a algum tempo.
Que bom é estar deste lado!
A actriz está iluminada no centro do palco, os olhares concentram-se nela: sozinha e exasperada brande argumentos que todos conhecem mas ninguém quer ouvir. Só uma "figurantezinha" em busca de protagonismo parece fazer um esforço por escutá-la.
Chegam as frustradas, todas cheias de moralidade mas ainda mais corrompidas que ela. Procuram mostrar-se cheias de princípios mas todos sabem quem elas são. Apontam o dedo à actriz como se não tivessem nada a temer. Ainda ontem eram as maiores amigas dela..... ( o público agita-se nas cadeiras!).
Ao longe ouço-a desesperar ainda mais e gritar para ninguém que está isolada, que não confia em ninguém, mas que se sente de consciência tranquila. Não presto atenção ao que ela diz. Não, não quero saber...
No escuro do fundo do palco está a outra. Observo-a, transporta nos lábios um sorriso de vingança. Atrás dela agiganta-se uma sombra, ninguém a vê mas é o que mais perturba a protagonista.
As acusadoras vão-se agitando....
Olho à minha volta. Todos riem e comentam o desespero ridículo da actriz. Reconheço-lhes os rostos e dou-lhes razão. Rio com eles. Não imaginam que me candidatei a este papel! Por mim nunca vão saber.
Uma voz próxima sussurra-me " Nunca gostei dela!" Nem eu. Não sinto rancor por não ter ficado com o lugar. Agora que a vejo desempenhar o papel só consigo sentir pena dela . Mas chama-se instinto: desde a primeira vez que a vi, não me inspirou confiança.
Pronto, agora apareceu ele. Parece que passou uma eternidade desde a última vez que o vi, mas não foi assim tanto tempo....
Segura e confortável no meio da assistência dedico-me a observá-lo: parece-me agora tão diferente. Noto-lhe uns quantos defeitos, ainda mais do que os que antes reconhecia. Quando foi que me enganei?
Veio falar com dois "amigos", pelo rosto deles vejo que lhes fez um pedido. Parecem aceitar mas mal ele volta as costas escarnecem e censuram-no com o olhar. Compreendo-os bem.
Olho-o de novo agora que se afasta: não esta feliz. Será que ela vale um papel tão dificil? Por muito bem actor que seja, nunca conseguirá ser um herói romântico disposto a morrer por amor. Por ela, tão fácil de conseguir, ainda menos.
Os "amigos" tomam conta dela. O publico goza ainda mais de a ver cair numa posição tão frágil....
Intervalo: levanto-me e falo com os outros espectadores. Foi divertido assistir com eles ao espectáculo!
Olho o palco vazio e, mais que nunca, sinto-me a pessoa mais feliz do mundo por ter ficado deste lado!
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Novembro 28th, 2008 - 19:17
Agora sim, faz todo o sentido!
E encontraste uma maneira belíssima de descrever a situação! Nem eu me lembrei de tal coisa…
Por favor não te arrependas do que escreveste,mão o apagues, porque foi muito bem pensado =)