Lado Lunar
29Nov/08

Eles também choram…

Música: "Incomplete" Backstreet Boys

O texto que se segue pode evidenciar algum do meu preconceito ou mesmo alguma da minha ignorância relativamente ao assunto que irei comentar, mas achei que, precisamente por eu ter desmistificado algumas ideias um bocado retrógadas, eu deveria publicar esta...dissertação.

Muitas vezes, em novelas, séries e até na vida real, ouvimos as mulheres e as raparigas falarem sobre vários aspectos das suas vidas a familiares e amigos: desde do trabalho ao casamento, desde alegrias e realizações às tristezas e desilusões. Sim, elas (nós) falam muito, sobre muita coisa e com muitas pessoas, mas não se limitam a falar - as mulheres expressam aquilo que sentem! Ora choram, ora riem, ora gritam, e torna-se bastante fácil para os outros perceber como uma mulher se sente.

E quanto aos homens? Sabemos que desde tenra idade, através da socialização e da aprendizagem que recebem e adquirem ao longo da vida, os homens e os rapazes são ensinados e não expressarem sentimentos de tristeza e fragilidade, já que eles devem representar o "sexo forte", aquele que não se deixa devastar por "fraquezas". Mas o que é que acontece quando o "sexo forte" demonstra as suas "fraquezas" e, mais do que isso, expõe os seus sentimentos para que todos vejam?

Há alguns dias, enquanto navegava por um site em particular, fui confrontada com um texto escrito por um jovem, em que ele desabafava, com todas as palavras nuas e cruas, sobre uma desilusão amorosa. E aqui começa o meu pré-conceito: não só fiquei surpreendida por este rapaz ter publicado este texto num site acessível a todos e onde o autor é facilmente identificado, como me senti tocada pelas palavras que ele escolheu para descrever aquilo que o remoía por dentro. Não foi necessária qualquer expressão facial, não foi necessária uma lágrima - apenas palavras escritas, apenas um texto, para eu me aperceber de que, de facto, eles também se sentem traídos, magoados tanto ou mais do que as mulheres. Só porque a sociedade decidiu que o sexo masculino não deve demonstrar "fraquezas", eu (e admito que a limitação é minha) cheguei mesmo a crer que assim era, que os homens eram demasiado orgulhosos e não eram capazes de expôr os seus verdadeiros sentimentos quando se sentem magoados com alguém...com as mulheres.

Mais uma vez digo que o preconceito existente na minha mente até àquele dia poderia ser totalmente descabido, mas pelo menos fico contente por ter percebido e interiorizado isto antes de magoar alguém da mesma maneira. Aliás, não acho que se devam fazer promessas sobre o futuro, mas espero nunca dar razões para alguém escrever um texto com uma carga tão forte de desilusão. Queria, por fim, agradecer ao autor (que eu por acaso até conheço) do texto referido, por ter partilhado a experiência - escrever é realmente terapêutico -  e, principalmente, pela lição que me deu, embora ele não saiba que foi a inspiração para este meu texto.

Comentários (1) Trackbacks (0)
  1. Este caso realemente tem muito que se lhe diga! Admito que eu também era uma preconceituosa de primeira. Como raparigas do séc XXI não deviamos pensar assim, mas sabes, acho que a a culpa não e nossa, e das nossas mães, avós, tias…. Qual de nos (mulheres) nunca as ouviu dizer: “Os Homens não prestam! Não tem sentimentos! e se têm…não os sabem mostrar!”
    Isso não e verdade….de todo!
    Um dia gostava de ver esse texo….
    Já agora, escrevesteb lindamente, mas isso tu já sabes…


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