Lado Lunar
9Jul/08

Programa Blunt

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Sim, deveria ter escrito este artigo há mais tempo, mas, no dia da ocorrência, não tive uma vontade desesperante de saciar a minha sede de escrever acerca de mais um evento dos últimos dias. Mesmo assim, e dadas as circunstâncias (clausura quase total dentro de casa até ao dia 15 de Julho), resolvi escrever hoje como forma de fugir às responsabilidades.No passado dia 4 de Julho tive a oportunidade de assistir ao concerto do britânico James Blunt, de quem já me considero fã desde...bem, desde que ele apareceu. Confesso que não fui ao concerto de há dois anos porque não estava cá (e já nessa altura achei que tinha perdido uma oportunidade de ouro), por isso, não podia deixar de ir desta vez. No entanto, é importante referir que estive à beira de perder mais uma oportunidade por falta de companhia (uns porque perderam o interesse, outros por mero orgulho). Felizmente, fui surpreendida por um convite irrecusável e consegui ir ao concerto que se realizava no Campo Pequeno - Lisboa (daí o 'orgulho' de que falei acima).

A banda portuense Classificados abria o espectáculo e deu para perceber que eram novatos, porque evocavam o nome da banda constantemente e a qualidade do som não era muito boa (ou seria mesmo o estilo de música?), o que, por momentos, me pôs a pensar se o Campo Pequeno seria um bom lugar para concertos - não era, de facto, embora as razões fossem outras. Ao fim de uma hora de espectáculo, os Classificados despediram-se e, nos minutos que se seguiram até à chegada do artista principal, as bancadas do recinto iam enchendo a olhos vistos.

Finalmente, apagaram-se as luzes, ouviram-se assobios e palmas, o pano de fundo caiu dando lugar a um painel que exibia um pequeno video, cujo tema não consegui compreeender. Entrou a banda, começou a música "Give Me Some Love" (do 2º albúm "All The Lost Souls") e entrou o James Blunt já com a guitarra na mão. A histeria foi geral!

Durante este espectáculo, percebi que, apesar das melodias e letras melancólicas ou demasiadamente trágicas do cantor (sim, admito que isso seja razão para não se gostar dele), ele tem bastante sentido de humor: depois de agradecer algumas vezes em português num "obrigado" perfeitamente perceptível, explicou que tinha as duas músicas mais tocadas em casamentos e funerais no Reino Unido ("You're Beautiful" e "Goodbye My Lover", respectivamente). Então, perguntou ao público mais próximo como se dizia a palavra funeral em português, repetindo-a ao microfone e, obviamente, ouviram-se algumas gargalhadas - valeu a pena pelo esforço. Tocou, depois, a música "I'll Take Everything", a música perfeita para divórcios, segundo Blunt (mais gargalhadas!). Em oposição, o momento mais tocante deste concerto foi ao som da música "No Bravery" (ainda do 1º albúm "Back To Bedlam"), que conta a experiência do cantor como elemento do Exército Britânico,  ilustrada com imagens de guerra que passavam no painel que fazia de cenário: crianças refugiadas, casas destruídas, estradas desertas.

Para quebrar um pouco o ambiente pesado, começou a ouvir-se uma música "...about a naughty little girl called Annie", segundo as palavras do autor, e lá se foi o encanto que eu tinha por esta música, com um nome tão parecido com o meu. A partir deste momento, o cantor soltou-se cada vez mais até ao fim do concerto (para histeria da secção feminina na plateia): saltou para cima das colunas de som e, inclusivamente, para cima do piano, qual rock star, e cumprimentou entusiasticamente os/as fãs nas primeiras filas (para não dizer que quase se atirou a eles/as), com as músicas "Same Mistake" e a derradeira "1973".

Admito que pensei que o concerto dele seria mais calmo e que ele pudesse, eventualmente, desafinar um pouco, porque o único DVD de um concerto dele ao vivo mostra isso mesmo. Acabou por acontecer tudo menos aquilo que eu receava! Cheguei à conclusão que, muitas vezes, ver a segunda tour de um artista ou banda que se estreou há poucos anos pode ser muito mais gratificante, porque nos supreende, em vez de ver logo o primeiro espectáculo ao vivo, quando os artistas ainda estão a amadurecer - posso, portanto, pressupor que com o passar dos anos o James Blunt só ficará melhor =) !

Até ao próximo post!

Alinhamento:

  1. Give Me Some Love
  2. Billy
  3. High
  4. I Really Want You
  5. Carry You Home
  6. I'll Take Everything
  7. Goodbye My Lover
  8. No Bravery
  9. Annie
  10. 'Cause I Love You
  11. You're Beautiful
  12. Shine On
  13. Out Of My Mind
  14. Wiseman
  15. So Long, Jimmy
  16. One Of the Brightest Stars
  17. Same Mistake
  18. 1973
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