Digressão de Páscoa do OUP: Guimarães, 2010
Música: "Nós vamos todos falecer", Gato Fedorento
Eu costumava deixar os grandes acontecimentos passarem sem nenhum registo especial, mas já que a entrada no Orfeão Universitário do Porto marcou uma superação a nível pessoal, acho que a Digressão de Páscoa em Guimarães - que, aliás, terminou ontem - deve ser referida.
Quando entrei aqui não me apercebi de metade das lições que o Orfeão nos pode dar e resumi tudo a amizades, ensaios e actuações - o Orfeão Universitário é muito mais do que isso, é uma escola para a vida! Acima da privação do sono, acima das dores por todo o corpo está a aprendizagem constante, o engrandecimento pessoal, os momentos de alegria, de cantoria, de festa e acima de tudo o convívio com pessoas que, nestas circunstâncias, se tornam tão importantes para nós!
É claro que como pessoa pessimista que sou apenas pensei no lado negro da praxe, porque verdade seja dita foi por isso que deixei a praxe do meu curso. Quem me conhece sabe que nunca fui muito a favor da praxe, mas no OUP a praxe, para mim, ganha todo um novo significado: a praxe pode ser divertida, útil e pode ajudar-nos a crescer, a ser eficientes, a partilhar, a encontrar solução para os problemas de todos...e a desenrrascar também! É nestas alturas que vemos quem realmente importa para nós, com quem podemos contar, de quem gostamos, de quem não gostamos, quem se importa connosco e é nestas circunstâncias que surgem as amizades, as brincadeiras, os brindes (que este ano foram feitos de forma tão original, em homenagem ao nosso maestro), a cumplicidade e a união. Espero apenas que isto se mantenha dentro e fora do Orfeão, e não apenas em contexto de digressão no qual devemos ajudar e estar juntos por um objectivo comum.
Assim, este post é para todos aqueles que partilharam comigo o primeiro ano da minha primeira digressão do Orfeão e já agora também agradeço àqueles que, não tendo que passar pelo mesmo que eu, foram atenciosos o suficiente para também estarem presentes e partilharem esta grande experiência que me pareceu tão surreal e ultrapassou as minhas expectativas: foi uma digressão muito "gostosa"
!
(In)Glorious Basterd
Música: "When I Grow Up", Pussycat Dolls
Passada a cerimónia dos Óscares, queria esclarecer aqui uma coisa, especialmente para duas pessoas que saberão exactamente quem são, quando lerem o post (supondo que o lêem).
Primeiro ponto: não, não gostei do filme do Tarantino e até hoje não sei como é que estas duas pessoas que se dizem meus amigos me deixaram entrar na sala de cinema, sabendo perfeitamente qual era o género deste louco do cinema (até o Tim Burton me parece mais saudável ao lado do Tarantino).
Segundo ponto: depois da depressão pós-Sacanas Sem Lei, é possível que eu tenha aprendido a reconhecer alguns pontos interessantes naquele filme, mas que basicamente se resumem aos momentos de humor (sim, porque parece que o filme tem humor), como sejam a inconveniência e insistência do Frederick Zoller (personagem do Daniel Brühl) em chamar a atenção da Shosanna (Melánie Laurent), quando ela não estava nitidamente interessada e o evitava sempre que podia, ou o famosíssimo Brad Pitt (que nas nomeações passou totalmente ao lado) a tentar falar um italiano, no mínimo, pobre - e não Inês, ele não merecia um Óscar só por isso (por essa ordem de ideias eu merecia muitos prémios por cada vez que tento falar espanhol)
Terceiro ponto: depois de ter visto o discurso de agradecimento - mas só depois disso - do austríaco Christoph Waltz (Coronel Landa, no filme), ao receber o Globo de Ouro para melhor actor secundário, percebi que ele realmente mereceu o prémio, e até mesmo o Óscar. Senão vejamos: a personagem dele é um homem frio e cruel que só não é denominado assassino no sentido restrito da palavra, porque manda os outros matar judeus inocentes, sendo inclusivamente reconhecido como o "caçador de judeus" (causava-me arrepios!); na vida real, ao receber os prémios, a expressão dele é de uma simplicidade e humildade incríveis e as palavras de agradecimento quase se assemelham às de uma criança a quem foi dado um doce (só faltava mesmo ajoelhar-se aos pés do Tarantino por tamanha oportunidade)! É ou não é um óptimo actor?!
Isto não significa no entanto que eu goste do Tarantino ou do género de filmes que ele faz, mas sem dúvida devemos dar mérito aos actores, quanto mais não seja por compactuarem com tamanha insanidade e o fazerem de forma tão brilhante!
Tenho dito!
p.s. - relativamente à música que eu pus, apenas revela o meu vasto conhecimento musical e, acima de tudo, o que importa são as letras!
As 30 razões para se envolver com uma socióloga!
Hoje chegou ao meu conhecimento esta bela e muito cómica lista das 30 razões pelas quais um rapaz sortudo se deve envolver com uma socióloga. Ora, eu não sou uma socióloga, porque ainda não acabei a licenciatura, mas posso partir já de alguns destes princípios porque, devo confessar, alguns aplicam-se bastante bem a mim ou a colegas aprendizes de sociólogas que conheço. Vejamos...
- 1 - Não fazemos rotulagem social à priori, mas facilmente distinguimos o bom do mau (completamente de acordo, embora seja falível no caso de algumas aprendizes de Sociologia )
- 2 - Não valorizamos a origem social do indivíduo, mas preocupa-nos a mobilidade social que este nos proporciona (exactamente! não interessa de onde ele vem, mas onde nos pode levar)
- 3 - Somos a favor do alargamento contínuo da nossa rede de sociabilidades (é uma coisa que vem com o curso, porque é tudo boa gente; para mais informações sobre uma vasta rede de sociabilidades, por favor falar com Ana Vanessa)
- 4 - Para nós o corpo é uma máquina de cultura e linguagem permanente (não têm noção do quanto eu presto atenção a isto, em alguns casos...)
- 6 - Economicamente falando, há um excesso de procura e pouca oferta, pois padecemos do paradoxo de valor (oh pá não sei o que é paradoxo de valor, porque só tive 10 a Economia, mas até à segunda vírgula concordo perfeitamente!!)
- 7 - Temos grande utilidade marginal e total. (como eu disse...tive um 10 a Economia)
- 8 - Importamo-nos com os contextos ( e a prova disso é que já verifiquei muitas vezes que uma mesma pessoa pode ter comportamentos diferentes em contextos diferentes, ainda que esteja na presença das mesmas pessoas, o que em alguns casos é MESMO uma pena...)
- 9 - Vemos para além das fachadas (por isso nem sequer tentem enganar-nos!)
- 11 - Combatemos o etnocentrismo, não gostamos do universal, mas do restrito, do particular e do exclusivo (portanto se foram eleitos é porque realmente têm algo de muito especial)
- 12 - Cultivamos imaginação sociológica (ossos do ofício...)
- 14 - Gostamos de novas experiências (a Estefânia é a pessoa do meu pequeno grupo de referência que melhor pode falar destes assuntos...)
- 15 - Conseguimos distinguir sexo de género (distinção essa que em alguns casos faz toda a diferença! mais uma vez...não nos enganam!)
- 16 - Mesmo bêbadas tiramos apontamentos (apesar de ser vista como uma das pessoas com os melhores apontamentos, não posso dizer que faça isto...porque nunca fiquei bêbeda)
- 17 - Superamos todos os obstáculos epistemológicos, sobretudo o naturalismo (a aparência atrai, mas o conteúdo convence!)
- 18 - Fazemos dos homens "pescadinha de rabo na boca" (assim esta expressão ganha todo um novo significado! )
- 19 - Aplicamos estratégias de investigação empírica no terreno (nomeadamente a observação directa participante)
- 21 - Facilmente fazemos rupturas (quebrando tabus e preconceitos...)
- 24 - Somos simples, contentamo-nos com o melhor (como eu disse, se forem eleitos é porque têm algo de muito especial)
- 27 - Damos valor aos engenheiros (vá...podem gabar-se...mas só um bocadinho!)
- 28 - Onde houver festa estamos lá (por acaso...ultimamente....)
- 30 - Não somos nada discretas e por isso, se estivermos interessadas, vais reparar (já me disseram que é verdade...oops!)
Se o universo masculino se assustou com esta parte da lista que aqui comentei ou não são engenheiros ou então não estão preparados para se envolver com uma mulher socióloga! É claro que eu omiti alguns pontos desta lista, porque esses não se aplicam muito à pessoa (também ela com características raras) que escreve os textos deste blog, mas para melhor esclarecimento e lista completa vejam:
Cimeira de Copenhaga
Música: "Knights Of Cydonia", Muse
Há já algum tempo queria escrever um post sobre a Cimeira de Copenhaga, porque tem sido um acontecimento que eu acompanhei de forma relativa, especialmente no que diz respeito às manifestações das associações ambientalistas.
Acho que, mais do que as conclusões a que os líderes de todo o Mundo possam chegar, esta cimeira acaba por ser importante por ter gerado uma grande movimentação de pessoas que se preocupam, aparecem, protestam, contestam, defendem e mostram que não estão nada desatentas àquilo que se passa no nosso Mundo! Por vezes, ouço os discursos pessimistas daqueles que dizem que já ninguém se importa com nada, não há interesses comuns, não há associativismo e que cada um está apenas preocupado com o seu pequeno universo. Mas são as manifestações, as petições, os cartazes e os protestos que reúnem pessoas de várias nacionalidades por um objectivo comum e me levam a crer que há ainda muita gente interessada e preocupada com os problemas mundiais que, a médio e longo prazo, afectarão as gerações futuras!
Pode dizer-se, portanto, que estamos perante um verdadeiro movimento social, o que significa que este é um fenómeno que reúne um grande, grande número de pessoas com o objectivo de operar mudanças na sociedade, ou nas sociedades, de todos os cidadãos do Mundo. O que nós, que ficamos no sofá a ver as notícias, podemos fazer é responder às petições e manifestar, assim, a nossa vontade!
Relativamente às conclusões propriamente ditas, Nicholas Sarkozy afirmou que o acordo foi insuficiente e decepcionante, mas foi o melhor possível, dado o facto de este ser um encontro que reúne líderes e opiniões de todo o Mundo e tem implicações na vida de todos os cidadãos. No entanto, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos da América, transparece confiança e optimismo, dizendo que este acordo simboliza um "avanço significativo e sem precedentes" e que se está "a caminhar na direcção de um acordo final". O que se pode retirar de todos estes dias de encontros formais entre os líderes dos vários países do mundo é que nenhum dos países está completamente satisfeito com o que foi alcançado, mas este acordo, salientou o responsável da delegação norte-americana, representa um "passo histórico" que servirá de base para pactos mais substanciais no futuro." (in Diário de Notícias).
Para mais esclarecimentos:
Até ao próximo post!
Diz-me que música ouves, dir-te-hei quem és?
Música: "Rise and Fall", Craig David com Sting
Olá! Hoje apetece-me escrever um post mais informal, apenas para provar que ainda estou aqui.
Anteontem, cá em casa tivemos lotação esgotada devido a um encontro que, na minha opinião, já deveria ter acontecido há imenso tempo, e mais uma vez houve o início daquilo que poderia ter sido uma discussão acesa, desta vez acerca dos factores que condicionam a maneira de ser e estar dos jovens portugueses actualmente. Muitos falam da série "Morangos Com Açucar" como sendo um mau exemplo para os jovens, embora, ironicamente, ela seja também um sucesso nacional, mas nós preferimos falar de gostos músicas - way more interesting! (a informalidade dos meus textos inclui expressões british, atenção!).
De facto, a música desde sempre criou impacto e provocou emoções e sentimentos nas pessoas, quer pelas letras que transmite, quer pelas melodias e, de facto, no meu breve estudo acerca das subculturas percebi que o que praticamente todas têm em comum é o facto de terem surgido a partir de um determinado estilo musical e, depois, terem passado a ser movimentos culturais que assumiam um certo estilo de roupa e de comportamento distintos da chamada "cultura de massas". Mas o que interessava ali discutir era até que ponto o modo de vida pessoal dos artistas leva os fãs a agir como eles? O caso mais alarmante será provavelmente o uso de drogas que, tal como a minha mãe defendeu, desde sempre existiu e continua a existir entre aqueles que consideramos ser altamente talentosos - o que, também ironicamente, os vai tornando muito mais famosos (o nome de uma certa cantora britânica deve estar a surgir nas vossas mentes...). De um lado, defendia-se que os fãs podem ser e são muitas vezes levados por "maus caminhos" ao saberem que o seu artista favorito também o faz, julgando que provavelmente aquilo é banal, é fixe e vai proporcionar-lhe bons momentos e novas experiências; do outro lado, defendia-se que não são os ídolos que influenciam directamente os seus fãs com este ou aquele comportamento, uma vez que essas pessoas muitas vezes estão fisíca e emocionalmente distantes dos fãs para os poderem influenciar de uma forma tão directa (aquilo que em Psicologia seria o meio mais macro da vida de cada um de nós, se estivesse aqui a querer usar termos técnicos).
O que tornou esta discussão pouco produtiva foi o facto de a maioria calar a minoria e, portanto, a ideia que ficou é que as pessoas não são de facto influenciadas pelos seus artistas favoritos de forma tão directa ou infalível, pois o mais preocupante e o que terá, provavelmente, mais peso é a influência do colega do lado. Aliás, se alguma vez houve esse tipo de influência, actualmente, ela é cada vez menos acentuada, de acordo com os defensores desta opinião. Os jovens presentes (eu incluída) diziam que apesar de serem fãs de Nirvana, Metallica ou mesmo Amy Winehouse não eram influenciados pelos seus comportamentos (até os Keane tiveram o seu mau momento,algo que me deixou desiludida, mas que felizmente foi superado rapidamente e com sucesso), mas se a ideia era a de que os nossos artistas favoritos nos influenciam dessa forma, "o melhor é ser fã de Radiohead", disse o Mário. No entanto, estes argumentos não foram aceites pela outra parte, porque os presentes eram expepções à regra. A propósito desta ideia, no meio desta discussão em que permaneci quase calada, lembrei-me de um documentário do Michael Moore, chamado "Columbine", em que ele tentava perceber se as músicas que os jovens ouviam - naquele caso Marylin Manson - os tinham influenciado nas suas acções violentas (por favor, consultem a sinopse para melhor esclarecimento do contexto deste filme/documentário).
Com tudo isto, além de expôr as opiniões dos diferentes intervenientes na discussão de anteontem quero também perguntar aos raros leitores deste blog: what are your thoughts on the matter? (como diria o Heath Ledger, em Casanova). O que pensam disto? A vida pessoal dos nossos ídolos pode influenciar os nossos comportamentos ou, actualmente, apesar de sabermos que muitos dos artistas consomem drogas estamos muito mais alerta para não irmos pelo mesmo caminho? Deixo ao vosso critério!
Até ao próximo post!