Lado Lunar
28Nov/07

Este é deprimente…

No fundo, gosto de viver nesta correria, que distrai e abstrai. Mas gostaria mais se as saudades não apertassem cá dentro quando dou por mim sozinha, sentada em frente a um ecrã, esperando mensagens que raramente aparecem. Gostaria mais desta correria se pudesse levar no bolso todos aqueles que eu queria que vissem de perto como passo as minhas horas, sem ter de ser eu a contar-lhes depois. Um depois que por vezes se prolonga no tempo...

9Set/07

Salvador, Negro Amor

Exposição nas ruas de Salvador

Sérgio Guerra, 45 anos, fotógrafo, expôs pela capital baiana vários ‘outdoors’ que exibem rostos e expressões de pessoas de raça negra, que representam a maioria da população da cidade. A verdade, é que parte de Salvador pareceu incomodar-se com o facto de se deparar com estes rostos nas ruas, todos os dias. Por outro lado, o grupo de pessoas que recebeu com grande alegria esta iniciativa parece ser a pequena grande fracção a quem Sérgio Guerra quis dar voz. Assim, a polémica inicia-se.

Para uns, foi uma boa iniciativa para despertar no povo baiano as suas origens, difundir a cultura afro e para enfrentar o racismo; para outros, esta foi basicamente uma boa maneira de auto-promover o fotógrafo e levantar dúvidas sobre o dinheiro público que a exposição dispendeu. Mas, tentando desviar a atenção desta exposição fotográfica, negando o seu objectivo, negando os rostos que estão nas ruas, a população baiana nega também uma parte de si mesma, um pedaço da sua identidade. Agora todos vêem o que alguns evitavam ver e pode-se considerar que esta exposição é como um encontro da cidade com a sua identidade, através do qual todos têm a oportunidade de mudar o seu pensamento e aprender. A Salvador que se reconhece em Caymmi, no Olodum e no Axé, não se vê negra e mestiça no seu quotidiano, dividido por grandes diferenças económicas e sociais. Nos dias de hoje, a procura pela tolerância e respeito pelas diferenças, encontra – ironicamente – nas regiões onde existem negros e mestiços, um preconceito acentuado.

Sendo assim, sem dúvida a população branca e socialmente priviligiada de Salvador terá muito o que aprender com esta iniciativa de Sérgio Guerra e espera-se que comece a aceitar o que há muito está à frente dos seus olhos mas que nem todos os soteropolitanos querem ver. Estes projectos e outros contribuírão para que Salvador não negue mais o que faz parte de si mesma.

Ver também: http://www.salvadornegroamor.org.br/main/capa/default.jsp

8Set/07

O Brasil e o Racismo

RacismoDesde sempre, o Homem teve tendência para olhar com alguma desconfiança e desdém aquele que tem uma outra fisionomia, uma outra cor, que defende outros valores e mesmo quem tem outra nacionalidade. Até hoje, em pleno século XXI, o preconceito e a discriminação estão presentes no Mundo: apesar da passagem dos séculos, apesar do sofrimento, apesar da luta por direitos e oportunidades iguais, ainda estamos longe de conseguir conquistar, completamente, essa tão prezada igualdade e esse tipo de atitudes preconceituosas é ainda visível em vários países – embora de maneira mais ou menos dissimulada, dependendo da quantidade de individuos que é ‘diferente’ e do país em que estes estão inseridos.

Há quem defenda que o racismo é uma consequência das acções das pessoas no seu dia a dia e, se formos analisar, talvez isso tenha o seu lado verdadeiro. Se são as nossas atitudes preconceituosas que definem racismo então, sim, o Brasil é um país racista que inclusivé possui a segunda maior população negra do mundo. Senão vejamos: não são muitos os negros que chegam a cargos elevados numa empresa ou até no governo, assim como também são poucos os que têm acesso a escolas privadas e a univerdades; coincidentemente as pessoas que trabalham como domésticas ou como empregados de mesa são quase sempre negras, que vivem no limite da pobreza e que têm baixa renda.

Perante este cenário, o governo tem tentado implantar algumas medidas: a Constituição brasileira pune comentários e atitudes racistas com prisão e recentemente foi implantado o sistema de cotas como facilitador para o ingresso no ensino superior. Mas, na realidade, isso não está a mudar a situação por completo. Se há grandes conquistas numa parte do mundo, na outra parte parece que retrocedemos no tempo. O ser humano tem de se conscientizar e perceber que o racismo é algo antiquado, que não nos leva a nada e, antes pelo contrário, só nos faz retroceder. Se somos capazes de criar as piores maneiras de ferir alguém fisica e verbalmente, porque não somos capazes de encontrar um meio para pôr fim a tudo isso ?

ver também:

http://www.spiner.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=901

 

6Set/07

Introdução

“ Aprendi que temos de nos adaptar às circunstâncias e que em qualquer lugar há sempre motivos de interesse. São as pessoas que fazem os lugares e não o contrário”  

É com este excerto do livro ‘Equador’, de Miguel Sousa Tavares, que faço o meu primeiro ‘post’ já que ele expressa totalmente a conclusão que tirei, ao fim de dois anos a viver no Brasil, apesar de todas as dificuldades que enfrentei, apesar de todas as diferenças que encontrei. É precisamente o Brasil que eu gostaria de retratar neste blog através das redacções que eu e os meus colegas de turma fizemos na escola, sobre vários temas que nos eram propostos, a sua maioria relacionados com os problemas que todos sabemos que o Brasil enfrenta. Basicamente, queria dar uma outra visão, que não a do turista que viaja para praias paradisíacas e hotéis luxuosos ou a do ‘menino do papá’ que tem dinheiro nos bolsos e um futuro garantido (como muitos dos que conheci, porque afinal de contas eu estava nesse meio). Queria expôr a minha maneira de ver os problemas de um país que muitos dizem, com toda a razão, ser de grandes contrastes. Daí o blog se chamar ‘lado lunar’ pois ‘toda a alma tem uma face negra’ assim como todo o país.

Obviamente que os textos que eu publicar aqui são apenas os da minha autoria. Resumindo, a minha ideia inicial, ao criar este blog, era a de expôr os textos que redigi na escola. Mas pode acontecer, obviamente, que os textos não falem espeficicamente sobre o caso brasileiro e pode também haver alguns textos mais...pessoais - basta consultarem pelas categorias (isso vai ser organizado ao longo do tempo) :) 

Ana !